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O que é afinal ser português

Quando entro no metro e acabo de descer os primeiros lances de escadas, vejo o cesto do jornal Metro vazia. Avanço. Paro e olho para trás. No chão está espalhado um jornal que eventualmente alguém o deixara cair e não se deu ao trabalho de o apanhar de novo. Apanho a secção dos passatempos para ir fazendo no metro.

Ao ler de alto as notícias, os meus olhos param numa notícia muito breve – Só 30% termina o 12.º ano em doze anos -, isto chocou-me por uns momentos, mas depois vi-me aceitar o facto que os jovens de hoje em dia não se aplicam na escola e que muito poucos deles apercebem-se da verdadeira importância dos estudos para o seu futuro.

Há um razão pela qual os rebeldes da escola acabam por parar aos pequenos supermercados a arrumar e distribuir os produtos nas prateleiras; e os conhecidos por cromos, sentados no cadeirão do director de uma empresa de grande importância, qual será? Ninguém sabe como isso acontece, tudo permanece em mistério. E quem descobre esse segredo oculto perdido no tempo vive melhor, ou nega pura e simplesmente e fica em estado de choque. O segredo é simplesmente trabalhar.

Atenção não estou a dizer que os portugueses são burros ou pouco inteligentes, o que proponho pôr em alerta é o facto que a inteligência é usada em sítios errados, como por exemplo: na arte de baldar, na arte do esfoço mínimo, na arte do trabalho da véspera, na arte dos estimulantes da memória também conhecido por cábulas, na arte da negação dos erros, na arte de razões para tudo, na arte de culpar o próximo, na arte de liberdade extrema, e muitas mais correntes artísticas.

Em Portugal, este espírito nota-se também no interesse dos jovens na leitura. Quando entramos numa biblioteca, nem se consegue andar livremente pela sala por estar tão cheia de jovens interessados, estudiosos, dinâmicos e autónomos, falo ironicamente. Quando se entra numa biblioteca local, na melhor das hipóteses vemos pessoas idosas sentadas, ao computador a ver o e-mail o a jogar farmville, no facebook. E as únicas pessoas mais novas, no meu caso, fomos eu e dois amigos à procura de livros para pesquisar e estudar.

Na escola, o máximo que se pode fazer é obrigar os alunos a lerem um livro por período por ser necessário para avaliar a apresentação e crítica do mesmo. Não critico a falta de leitura porque cada um organiza o seu tempo como quiser e tem as suas actividades e tem a sua vida e tem que estudar para os testes da véspera!

Peço muitas desculpas por prejudicar os raros portugueses trabalhadores que suaram e deram tanto a si mesmos por serem brilhante, pela má caracterização geral dos portugueses de Portugal. Mas o facto é que, nem o país em si consegue criar um ambiente em que se consiga converter alguém para ser trabalhador, em Portugal há demasiado poucas oportunidades, há demasiado desorganização de tudo. A política está um caos, a economia está uma miséria, as finanças estão a sofrer muito, os impostos aumentam quando o salário dos trabalhadores é diminuído, a população está revoltada, etc.

As pessoas devem perceber que é mesmo necessário contribuir e emagrecer um pouco a carteira para que o país recupere da lúxuria do governo, peço desculpa, onde está escrito luxúria deve ler-se “cansaço” do governo, por investido tanto dinheiro no país que não se vêm eventuais melhorias. Mas é mesmo preciso perceber que só com trabalho é que se ganha alguma coisa. Uma coisa temporária será sempre temporária, mudar é muito difícil, demasiado difícil.

É por esta causa que os imigrantes, bem recebidos pelos guias turísticos, hotéis e aeroportos; e desprezados por muitos portugueses e portuguesas estão a voltar ao seu país para desistirem de tentar uma vida melhor em Portugal, que “a minha prima em Cabo Verde vive muito melhor que nós”, apanhei uma conversa a meio no autocarro para casa.
Questiono-me, o que será dos portugueses quando não houverem mais emigrantes a querer por um pé em Portugal.

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