Este trabalho foi feito a fim de ser avaliado na disciplina de História, 9º Ano, sobre a guerra civil de Espanha.
Julho 1936 - Abril 1939
A Guerra Civil Espanhola, desencadeada em 1936, foi motivada pelas fortes rivalidades existentes entre os partidos políticos de esquerda e de direita (nacionalistas e republicanos).
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Naquele tempo, quando as paixões ideológicas foram acordadas pela Guerra Civil Espanhola. Toda a ira, o rancor permanecido em silêncio durante anos, foi descarregado naquele pequeno país da península ibérica.
Os pretextos para a violência foram-se juntando, os acontecimentos sucediam-se originando um clima de tensão, desconfiança, instabilidade e divisão da sociedade em extremos completamente opostos. O que era um assunto político interno de um país, transbordou das fronteiras e foi tornado num ensaio das potências alemã e italiana.
Antecedentes
O séc. XIX em Espanha foi um período de grande instabilidade, iniciado com as Invasões francesas, levando a lutas entre absolutistas e liberais, mais tarde monárquicos e republicanos, e mesmo entre monárquicos. Teve mesmo a República implantada que durou cerca de um ano, de 1873 a 1874.
A culminar todo este período conturbado, Espanha perdeu as suas colónias para o EUA ( Cuba, Filipinas e Porto Rico, durante a Guerra Hispano-Americana), em 1898.
Com a I Guerra Mundial o desenvolvimento industrial em Espanha foi muito elevado, pois dinamizou toda a produção para fornecer os dois lados que estavam em guerra. Porém, as condições de trabalho não evoluiram, as classes operárias eram exploradas e no caso do sector agrário havia grandes proprietários que também não davam grandes condições aos agricultores.
Tudo isto se passava com a concordância, ou pelo menos a inoperância das Elites governantes e da Igreja.
Começou a haver movimentos sindicalistas e repressão violenta de parte a parte com assassinatos de dirigentes destas organizações de trabalhadores, assim como de industriais e empresários.
Prevendo uma Guerra Civil, o Rei abdicou e surgiu a 2ª República Espanhola com cariz de Esquerda e que estabeleceu medidas que retiravam muito poder à Igreja. Para uns tratava-se de uma perseguição, para outros estas medidas ainda eram escassas.
Até que chegaram as Eleições de Fevereiro de 1936
Vários partidos políticos / Duas facções ideológicas
A Esquerda defendia que era necessário travar o avanço do fascismo que já tinha triunfado em Itália (1922), em Alemanha (1933) e em Áustria (1934). Segundo as decisões da Internacional Comunista, de 1935, elas deveriam aproximar-se dos partidos democráticos e formarem uma Frente Popular para enfrentar as vitórias nazi-fascistas. Desta forma Socialistas, Comunistas (estalinistas e trotskistas), Anarquistas e Democratas liberais deveriam unir-se numa Frente Popular para ascender ao poder por meio de eleições e inverter a tendência mundial.
A esquerda espanhola estava dividida em diversos partidos e organizações:
- PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol)
- PCE (Partido Comunista Espanhol)
- POUM (Partido Obreiro da Unificação Marxista)
- UGT (União Geral do Trabalho)
- CNT (Confederação Nacional do Trabalho)
- FAI (Federação Anarquista Ibérica)
Estes aliaram-se aos os Republicanos (Acção Republicana e Esquerda Republicana) e mais alguns partidos autonomistas (nacionalistas da Galiza, do País Basco e da Catalunha). Esta coligação, venceu as eleições de Fevereiro de 1936.
A Direita agrupou-se na CEDA (Confederação das Direitas Autónomas):
- Partido Agrário
- Monarquistas e Tradicionalistas
- Falange espanhola (Fascistas)
Para os nacionalistas, tudo isto tratava-se de uma cruzada para livrar o país da influência comunista e restabelecer os valores da Espanha tradicional, unida, autoritária e católica. A Direita não aceita a derrota nas eleições e cria o Movimento Nacional para derrubar o Governo.
Apoios Internacionais
Como o golpe não sucedeu, o conflito resultou numa longa guerra civil, numa antevisão da II Guerra Mundial, servindo de ensaio às potências que posteriormente nela estiveram envolvidas.
O Movimento Nacional de Francisco Franco recebeu ajuda militar directa da Alemanha (Legião Condor), e da Itália, (Corpo de Tropas Voluntárias, aviões e equipamento). Portugal forneceu logística e financiamento às tropas rebeldes e “enviou” tropas voluntárias (a Legião Viriato) apesar de não se responsabilizar por elas.
Os reforços pedidos a Hitler e Mussolini foram vistos, pelos dois governantes como um campo de batalha experimental.
A Frente Popular recebeu ajuda internacional, proveniente da URSS (assistentes militares e material bélico) e das Brigadas Internacionais, com cerca de 38 mil homens, compostas de militantes de frentes socialistas e comunistas de todo o mundo (53 nacionalidades) e de numerosas pessoas que a título individual entravam na Espanha para lutar pela defesa da República, incluindo vários intelectuais europeus e americanos participaram neste conflito.
A França e a Inglaterra por não intervir na guerra limitando-se à exportação de armas a Espanha.
Papel de Portugal
Até à Guerra Civil espanhola as acções do Estado Novo em matéria de Política externa não foram muito relevantes. A prioridade do regime residia nos problemas internos da nação procurando a estabilidade e sua consolidação. Porém, com um conflito de carácter ideológico tão vincado junto às fronteiras, o Governo vê-se obrigado a tomar uma atitude considerada defensiva, centrada em três aspectos:
1- “A defesa da independência nacional face ao perigo espanhol”»
As tendências anexionistas (do, anexisnismo, é a doutrina política que preconiza a anexação das nações menores a outras maiores com quem têm afinidade.) quer de direita (facções mais radicais dos falangistas), quer de esquerda (Federação das Repúblicas Socialistas Ibéricas), era uma realidade no contexto dos anos 30-40 e Portugal estava atento ao desenvolver dos acontecimentos.
2- “A defesa do património colonial”
A discussão das grandes potências europeias sobre a divisão das colónias africanas, causava apreensão portuguesa a todos os níveis da sociedade, pois para além das questões ideológicas, políticas e estratégicas, havia o interesse económico.
3- “A sobrevivência do regime”»
Após o triunfo sobre as revoluções internas, Salazar deparava-se com uma ameaça externa que poderia por em causa o regime e a própria Independência.
O Governo português tinha de saber agir aos rebeldes anti-republicanos do General Franco. Não só na sequência de ideologias próximas lutando contra inimigos comuns (anarquistas, comunistas e democratas), mas também na busca de um aliado para o futuro conflito mundial, controlando ao mesmo tempo os ânimos das facções anexionistas mais radicais da falange.
Balanço da Guerra:
- O número de baixas oscila entre 330 a 405 mil mortos (apenas 1/3 no campo de batalha).
- Cerca de 6800 religiosos católicos mortos. Foram destruídas cerca de 20.000 igrejas, com perdas culturais incalculáveis.
- Meio milhão de prédios foi destruído.
- Metade do gado espanhol perdeu-se e muitos terrenos de cultivo foram incendiados.
- O rendimento percapita caiu cerca de 30% e fez com que a Espanha se afundasse numa estagnação económica que se prolongou por quase trinta anos.
Conclusão
· Três aspectos fundamentais: Foi uma guerra ideológica, violenta e internacional;
A crise da democracia levou as ideologias extremistas que marcaram o séc. XX a ganharem simpatizantes. As instituições democráticas pareciam não conseguir dar resposta às necessidades da população, não conseguindo estabelecer um sistema político estável e funcional. As soluções eram apontadas para uma liderança forte do Estado, quer à direita quer à esquerda.
A forte mobilização social como um fenómeno de interesse sociológico. Indicava que estava próxima uma Guerra de larga escala. As ideologias eram vividas com paixão de vida ou morte. A violência desta guerra pode ser demonstrada pelo número de baixas fora do campo de combate, 2/3 do valor total de mortes.
Guerra Civil Internacional, podia haver casos em que o mesmo país tenha voluntários fascistas e comunistas.
O Estado Novo faz o seu primeiro grande teste à Política Externa e traça desde logo a estratégia que se seguiria no futuro conflito mundial. O apoio a Franco, apesar de não ser oficial, para além de afastar o perigo de um regime comunista junto à fronteira, revela-se fundamental para o controlo dos ímpetos de anexionismo espanhol.
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Francisco Franco
Francisco Franco Bahamonde nasceu em Ferrol, numa cidade galega, no dia 4 de dezembro de 1892, e faleceu em Madrid, a 20 de Novembro de 1975. Franco foi um militar, chefe-de-estado, ditador espanhol e Regente do Reino de Espanha desde Outubro de 1939 até à sua morte.
Estudou na Academia de Infantaria de Toledo, e entre 1912 e 1917, distingue-se nas campanhas bélicas do Marrocos espanhol. Após uma estadia de três anos em Oviedo, nas Astúrias, volta a Marrocos, onde combate sob as ordens de Valenzuela e de Millán Astray, destacando-se pelo seu valor e sangue-frio no combate. Em 1923, casa-se com Carmen Polo, filha de uma família burguesa das Astúrias.
Voltando novamente a Marrocos, com o cargo de tenente-coronel, assume o comando da Legião em 1923 e participa no desembarque de Alhucemas e na reconquista do Protectorado (1925). Entre 1928 e 1931 dirige a Academia Militar de Saragoça.
Na implantação da República, em 1931, Franco é afastado do poder e destacado para os governos militares da Corunha e das Baleares. O triunfo das forças de direita em 1933 fá-lo regressar a altos cargos do exército. Ele planeou a repressão da Revolução das Astúrias (1934). É nomeado chefe do Estado-Maior Central, em1935. Em 1936, o governo da Frente Popular nomeia-o comandante militar das Canárias.
Terminada a guerra civil empreende a reconstrução do país. Cria um estado católico, autoritário e corporativo que recebe o nome de franquismo. Apesar das suas estreitas relações com a Alemanha e a Itália, manteve-se fora da Segunda Guerra Mundial. Terminada esta, os vencedores isolam o regime franquista.